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Fake news com IA quadruplica no Brasil: o que o relatório da Lupa revela sobre desinformação em 2025

Entenda o que levou o colume de fake news a aumentar tanto, o quanto isso pode pesar nas eleições e as soluções possíveis

A batalha contra a desinformação no Brasil ganhou novos contornos em 2025. Segundo dados da agência de checagem de fatos Lupa, revelados em relatório publicado recentemente, a quantidade de conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial quadriplicou em apenas um ano. Os números são alarmantes: saltamos de 39 casos em 2024 para 159 em 2025.

Mas o que esses dados realmente significam para você, usuário de redes sociais? E como a tecnologia está sendo usada para enganar milhões de brasileiros? Vamos mergulhar nos dados mais relevantes do Panorama da Desinformação no Brasil e entender essa nova era da desinformação.

A explosão de fake news geradas por inteligência artificial

O aumento proporcional é ainda mais impressionante. Em 2024, conteúdos manipulados por IA representavam apenas 4,65% das checagens realizadas pela Lupa. No ano seguinte, esse percentual saltou para quase 26% — um crescimento de mais de 400%.

Os números em perspectiva

Ano

Total de fake news com IA

Percentual do total

2024

39

4,65%

2025

159

~26%

Essa escalada exponencial revela uma mudança significativa na forma como a desinformação é produzida e disseminada no país. A democratização das ferramentas de IA generativa tornou mais fácil e barato criar conteúdos falsos convincentes.

Política: o novo alvo preferencial dos deep fakes

Houve uma mudança dramática no tipo de conteúdo produzido com IA. Em 2024, a maioria das fake news manipuladas por inteligência artificial estava relacionada a fraudes e golpes digitais. Em 2025, a política assumiu o protagonismo, respondendo por 45% dos 159 casos identificados.

As figuras políticas mais visadas

O relatório da Lupa destaca três personalidades como as mais exploradas em campanhas de desinformação:

  • Jair Bolsonaro — Ex-presidente permanece como alvo frequente

  • Luiz Inácio Lula da Silva — Atual presidente lidera o ranking

  • Donald Trump — Presidente dos EUA também aparece em conteúdos brasileiros

Exemplos marcantes de deep fakes políticos

Entre os casos mais emblemáticos identificados pela agência, destacam-se:

  1. Vídeo sintético de Donald Trump: O ex-presidente americano aparecia criticando, em português fluente, o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF)

  2. Vídeo falso do influenciador Felca: O criador de conteúdo foi "dublado" por IA para elogiar o governo brasileiro

Esses exemplos demonstram como a tecnologia permite criar narrativas políticas completamente fabricadas, com potencial de influenciar a opinião pública.

Como as fake news com IA são construídas

O relatório da Lupa identificou padrões na produção desses conteúdos fraudulentos. Na maioria dos casos, os criadores combinam:

  • Vídeo deep fake — Alteração digital de vídeos existentes ou criação de vídeos completamente sintéticos

  • Texto de apoio — Legendas ou descrições que reforçam a narrativa falsa

Em segundo lugar na lista de formatos mais utilizados aparecem as imagens sintéticas acompanhadas de texto. Essa combinação multimídia torna o conteúdo mais persuasivo e difícil de identificar como falso para o usuário médio.

WhatsApp ainda lidera, mas cenário se diversifica

Embora o WhatsApp continue sendo o principal canal de disseminação de fake news no Brasil, responsável por 47% dos conteúdos falsos identificados em 2025, sua dominância está diminuindo. Em 2024, o aplicativo de mensageria concentrava impressionantes 90% das fake news verificadas.

Mudanças no ecossistema da desinformação

O que mudou em 2025?

  • Maior dispersão entre plataformas: Os criadores de conteúdo falso estão usando uma combinação maior de canais

  • Entrada do Kwai: A plataforma de vídeos curtos entrou pela primeira vez no ranking

  • Saída do X (Twitter): A rede social de Elon Musk deixou a lista das principais plataformas

Essa diversificação representa um desafio adicional para as agências de checagem e autoridades, que precisam monitorar um número crescente de canais.

O contexto eleitoral faz diferença

É importante contextualizar os números totais. A Lupa identificou 617 postagens falsas em 2025, contra 839 em 2024. A redução está diretamente relacionada ao calendário eleitoral — 2024 foi ano de eleições municipais no Brasil, período tradicionalmente marcado por picos de desinformação.

Critérios de verificação

Vale destacar que a Lupa possui critérios rigorosos para incluir conteúdos em suas análises:

  • Apenas conteúdos que atingem determinado grau de viralização são verificados

  • Utiliza escala internacional com métricas padronizadas

  • Foco em postagens com potencial real de impacto público

Como identificar fake news criadas com IA

Diante desse cenário preocupante, é fundamental desenvolver senso crítico para identificar conteúdos manipulados. Aqui estão algumas dicas práticas:

Sinais de alerta em vídeos

  • Movimentos labiais descoordenados: Deep fakes ainda têm dificuldade em sincronizar perfeitamente lábios e áudio

  • Iluminação inconsistente: Sombras que não batem com a luz da cena

  • Transições bruscas: Mudanças súbitas na qualidade do vídeo

  • Bordas artificiais: Contornos mal definidos ao redor do rosto

Sinais de alerta em imagens

  • Detalhes anatômicos estranhos: Mãos com dedos extras, orelhas assimétricas

  • Fundos desfocados de forma artificial: Padrões irreais nos backgrounds

  • Textos distorcidos: IA ainda tem dificuldade com letras e números

  • Objetos impossíveis: Elementos que desafiam a física ou lógica

FAQ: Perguntas frequentes sobre fake news e IA

Como a IA é usada para criar fake news?

Ferramentas de IA generativa permitem criar vídeos deep fake, imagens sintéticas e textos convincentes. Elas podem replicar vozes, rostos e estilos de escrita com precisão impressionante, tornando difícil distinguir o real do falso.

Por que a política é o principal alvo de fake news com IA?

Conteúdos políticos geram forte engajamento emocional e têm potencial de influenciar decisões importantes, como votos. Além disso, figuras públicas têm abundância de material disponível online, facilitando a criação de deep fakes.

O que fazer se encontrar uma fake news?

  • Não compartilhe imediatamente

  • Verifique a fonte original

  • Busque checagens em agências como Lupa, Aos Fatos ou Comprova

  • Denuncie o conteúdo na plataforma onde foi publicado

  • Alerte seus contatos sobre o conteúdo falso

As plataformas estão fazendo algo contra fake news com IA?

Sim, mas o progresso é desigual. Algumas plataformas implementaram sistemas de detecção automática e marcação de conteúdo manipulado. No entanto, a velocidade de evolução das ferramentas de IA muitas vezes supera as medidas de proteção.

O papel das plataformas e da regulação

O crescimento exponencial de fake news geradas por IA levanta questões importantes sobre responsabilidade e regulação. No Brasil, o debate sobre controle de conteúdo nas redes sociais permanece acalorado, com diferentes visões sobre o equilíbrio entre liberdade de expressão e combate à desinformação.

Desafios para 2026

Com as eleições presidenciais previstas para 2026, especialistas antecipam um novo aumento nas campanhas de desinformação. A combinação de contexto eleitoral polarizado com ferramentas de IA cada vez mais sofisticadas representa um desafio inédito para a democracia brasileira.

Como a comunidade Data Hackers pode ajudar

Como profissionais de dados e tecnologia, temos papel fundamental no combate à desinformação:

  1. Desenvolver ferramentas de detecção: Criar algoritmos que identifiquem padrões em conteúdos manipulados

  2. Educar o público: Compartilhar conhecimento sobre como a IA funciona e suas limitações

  3. Apoiar iniciativas de fact-checking: Colaborar com agências de verificação fornecendo expertise técnica

  4. Promover literacia digital: Ensinar familiares e comunidades a identificar conteúdo falso

Conclusão: vigilância e educação como defesas

O relatório da Lupa revela uma realidade alarmante: a inteligência artificial democratizou a produção de desinformação, tornando-a mais sofisticada e difícil de combater. O aumento de 300% em fake news geradas por IA em apenas um ano é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.

No entanto, tecnologia também pode ser parte da solução. Sistemas de detecção automática, educação digital e colaboração entre plataformas, verificadores de fatos e usuários podem criar uma barreira mais efetiva contra a desinformação.

Como usuários conscientes de tecnologia e dados, temos a responsabilidade de questionar, verificar e não propagar conteúdos duvidosos. A batalha contra fake news não será vencida apenas com tecnologia, mas com pensamento crítico e vigilância coletiva.

E você, já identificou alguma fake news gerada por IA? Compartilhe suas experiências e ajude a construir uma internet mais confiável para todos.

Os dados apresentados neste artigo são baseados no Panorama da Desinformação no Brasil 2025, produzido pela agência Lupa. Para acessar o relatório completo, visite o site oficial da agência.