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Google Cloud e era agêntica: como o Gemini quer liderar a corrida da IA empresarial
Entenda a estratégia do Google na busca por levar o Google Cloud a competir com AWS e Microsoft Azure
A corrida da inteligência artificial está entrando em uma nova fase, e o Google Cloud não quer ficar para trás. Com uma série de anúncios no Google Next 2026, o gigante das buscas deixou claro: a era agêntica do Gemini começou oficialmente, e a empresa está pronta para competir de igual para igual com AWS e Microsoft Azure.
Durante uma coletiva pré-evento em Las Vegas, Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, fez uma declaração ousada: "O Gemini Enterprise é agora o sistema de ponta a ponta para a era agêntica, o tecido conectivo entre os dados, as pessoas e todos os aplicativos e agentes que transforma os processos num fluxo inteligente único."
A mensagem é clara: o Google quer convencer empresas do mundo inteiro de que o Gemini não é mais apenas um player secundário, mas sim a infraestrutura central para organizações que desejam se transformar em "empresas agênticas".
O Google Cloud está crescendo acelerado
Os números da divisão de nuvem do Google impressionam. No quarto trimestre de 2025, a receita do Google Cloud disparou 48%, alcançando US$ 17,7 bilhões. O backlog de receita mais que dobrou ao longo do ano, fechando 2025 em impressionantes US$ 240 bilhões.
Métrica | Valor |
|---|---|
Crescimento no Q4 2025 | 48% |
Receita no trimestre | US$ 17,7 bilhões |
Backlog de receita | US$ 240 bilhões |
Clientes usando produtos de IA | 75% |
Apesar desses números robustos, o Google Cloud ainda não ultrapassou os gigantes AWS e Microsoft Azure. Por anos, a divisão foi vista apenas como um projeto paralelo de uma empresa sem o DNA enterprise que Amazon e Microsoft construíram durante décadas.
Mas a realidade está mudando rapidamente.
Gemini: de coadjuvante a protagonista
Segundo Thomas Kurian, o momento de virada chegou. Quase 75% dos clientes do Google Cloud já utilizam os produtos de IA da empresa. Nos últimos 12 meses, 330 clientes processaram mais de um trilhão de tokens cada. E os modelos do Google estão processando hoje mais de 16 bilhões de tokens por minuto via API, contra os 10 bilhões registrados no trimestre anterior.
Um dado especialmente revelador: clientes de IA usam, em média, 1,8 vez mais produtos do Google Cloud do que clientes que não adotaram IA. A fidelização está acontecendo.
No Gemini Enterprise especificamente, o crescimento de usuários ativos pagantes foi de 40% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao anterior. "Vimos como cada funcionário, em cada organização, pode se tornar um construtor. É uma mudança incrível, mas que traz complexidade", destaca Thomas.
Gemini Enterprise Agent Platform: o centro de controle para agentes
Um dos principais anúncios para o Google Next é a Gemini Enterprise Agent Platform, uma plataforma unificada para construir, escalar, governar e otimizar agentes de IA.
Segundo o CEO, ela representa uma evolução do Vertex AI e integra num único lugar:
Seleção de modelos
Criação de agentes
DevOps
Orquestração
Segurança
A plataforma oferece acesso a mais de 200 modelos, incluindo os próprios modelos do Google, como o Gemini 3.1 Pro, além de modelos recentes de terceiros como o Claude Opus 4.7, da Anthropic.
"A conversa passou de 'conseguimos construir um agente?' para 'como gerenciamos milhares deles?' É para isso que a plataforma foi criada, para ser um centro de controle para a empresa agêntica", explica Thomas.
O executivo tem razão: o mercado já superou a fase de experimentação. As empresas não estão mais testando se a IA funciona — elas já estão tentando escalar o que já funciona. E descobrindo que escalar agentes é um desafio de magnitude completamente diferente de escalar software tradicional.
TPU 8t e TPU 8i: os novos chips do Google para IA
Junto com a plataforma de agentes, o Google anunciou a oitava geração de suas TPUs proprietárias, com dois chips distintos para propósitos diferentes.
TPU 8t: otimizado para treinamento
O TPU 8t é projetado para treinamento de modelos de fronteira, com foco em maximizar throughput computacional e largura de banda entre chips. O objetivo é comprimir o desenvolvimento de modelos de meses para semanas.
TPU 8i: projetado para inferência
Já o TPU 8i foi desenvolvido para inferência e raciocínio agêntico em tempo real. Segundo Thomas, ele é capaz de entregar a experiência de fazer uma pergunta a um agente e obter uma resposta imediata.
O chip combina 288 GB de memória de alta largura de banda com 384 MB de SRAM no chip — três vezes mais do que a geração anterior.
Segurança e Workspace: completando o ecossistema
O Google Cloud também endereçou os desafios de segurança dessa "nova era agêntica" com três anúncios específicos:
Dark Web Intelligence: cria perfis detalhados de organizações a partir de monitoramento da dark web
Threat Hunting Agent: busca proativamente padrões de ataque que escapam das defesas tradicionais
Detection Engineering Agent: automatiza a criação de regras de detecção de ameaças
Para o Workspace, o Google anunciou o Workspace Intelligence, descrito como uma camada que quebra silos de informação entre ferramentas e entrega contexto tanto para usuários quanto para agentes.
As novidades incluem:
AI Inbox no Gmail
Ask Gemini no Google Chat
Capacidades de criação de conteúdo com base na voz e no estilo do usuário no Docs e no Slides
A pressão competitiva está aumentando
O contexto competitivo que dá peso extra a todos esses anúncios é a pressão crescente que o Google enfrenta na frente de codificação agêntica. Com o avanço do Claude Code, da Anthropic, e do Codex, da OpenAI, o Google precisou reagir.
Segundo reportagens recentes, a empresa chegou a montar um time específico para acelerar seus modelos de coding com IA.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o Google Cloud e Gemini
O que é a era agêntica?
A era agêntica refere-se a uma nova fase da inteligência artificial onde agentes autônomos conseguem executar tarefas complexas de forma independente, tomando decisões e agindo em nome dos usuários.
O Gemini Enterprise é diferente do Gemini comum?
Sim. O Gemini Enterprise é voltado para organizações e inclui recursos corporativos como maior segurança, governança, integração com sistemas empresariais e capacidade de escalar para milhares de usuários.
O que são TPUs?
TPUs (Tensor Processing Units) são chips desenvolvidos pelo Google especificamente para acelerar cargas de trabalho de machine learning e inteligência artificial.
Como o Google Cloud se compara à AWS e Azure?
Embora ainda menor em marketshare, o Google Cloud está crescendo rapidamente (48% no último trimestre) e se posicionando como líder em IA generativa e infraestrutura para agentes.
O futuro das empresas agênticas
Os anúncios de IA do Google Cloud para o Next 26 estão menos focados em trazer discursos "messiânicos" sobre a IA e mais em endereçar os gargalos reais das empresas.
Uma das sessões previstas para o evento, liderada pela cofundadora da World Labs, Fei-Fei Li, aborda diretamente o chamado "capability overhang" — o fato de que a capacidade dos modelos já superou em muito a capacidade das empresas de implementá-los.
Na visão de Thomas Kurian, o Google está interessado em ajudar os clientes a cruzar esse abismo, indo além de simplesmente vender capacidade computacional.
"A transformação para uma empresa agêntica é o futuro de todas as organizações. O AI Hypercomputer fornece a base escalável, a Data Cloud fornece o contexto, a Defesa Agêntica fornece a proteção e a Plataforma de Agentes fornece a orquestração. A tecnologia está aqui, e agora é hora de construir os motores de crescimento", conclui o executivo.
A pergunta que fica é: o Google finalmente conseguiu as armas necessárias para competir de verdade na guerra das nuvens B2B? Os próximos trimestres vão revelar se a aposta na era agêntica vai se traduzir em ganhos concretos de market share contra AWS e Azure.
O que está claro é que, pela primeira vez em anos, o Google Cloud não está apenas competindo — está moldando ativamente o futuro da computação empresarial baseada em IA.