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De 80% manual para 80% automatizado: como o Claude Code transformou a rotina de programadores em apenas 2 meses
Entenda como o modelo de IA voltado para programação mudou a rotina dos desenvolvedores em pouco tempo
A engenharia de software está passando por uma transformação sem precedentes. Andrej Karpathy, ex-diretor de inteligência artificial da Tesla e cofundador da OpenAI, revelou recentemente como sua própria rotina de programação mudou radicalmente em apenas dois meses — uma mudança que ele classifica como uma verdadeira "mudança de fase" no setor.
Em suas "notas de Claude Coding" divulgadas na rede social X, Karpathy compartilhou uma experiência que tem ecoado entre profissionais de empresas como Anthropic, xAI e outras gigantes do setor tech. O relato traz à tona uma questão que começa a incomodar desenvolvedores ao redor do mundo: estamos testemunhando o fim da programação tradicional?
A inversão de proporções que surpreendeu até veteranos da área
O que torna o relato de Karpathy particularmente impactante é a velocidade da transformação. Em novembro de 2025, ele ainda escrevia aproximadamente 80% do código manualmente, usando agentes de IA como apoio ocasional. Apenas um mês depois, em dezembro, a proporção havia se invertido completamente.
Hoje, cerca de 80% do código gerado em seus projetos vem de modelos como o Claude Code, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI. O papel do programador se transformou: de executor para revisor.
O que é o vibe coding e por que ele está mudando tudo
Karpathy foi responsável por cunhar o termo "vibe coding" — uma abordagem de programação guiada por instruções em linguagem natural, onde desenvolvedores descrevem o que querem e a IA traduz essas intenções em código funcional.
O conceito ganhou tanta relevância que foi eleito palavra do ano pelo dicionário Collins, sinalizando uma mudança cultural profunda no mercado de tecnologia.
Características do vibe coding:
Foco em especificações de alto nível em vez de sintaxe detalhada
Iteração rápida através de prompts conversacionais
Menor necessidade de memorização de APIs e frameworks
Revisão e refinamento como principais atividades do desenvolvedor
O limiar de coerência: quando a IA ultrapassou a barreira crítica
De acordo com Karpathy, os modelos de IA superaram o que ele chama de "limiar de coerência" no final de 2025. Esse marco representa o ponto em que os agentes de código se tornaram consistentes e confiáveis o suficiente para assumir a maior parte do trabalho de implementação.
Essa transição, embora poderosa, não vem sem seus desafios emocionais. "Fere o ego" de quem aprendeu programação de forma tradicional, admite Karpathy, que também observa um efeito colateral preocupante: "Já notei que estou começando a perder lentamente minha habilidade de escrever código manualmente."
Reações da indústria: do ceticismo ao abraço total
A publicação de Karpathy provocou reações públicas de diversos profissionais do setor, revelando diferentes perspectivas sobre essa transformação:
Ethan He (ex-Nvidia)
Ethan He, engenheiro de IA e ex-funcionário da Nvidia, vê oportunidades. Segundo ele, um "engenheiro 10x" (termo usado para desenvolvedores excepcionalmente produtivos) pode se tornar um "exército de um homem só" com o uso estratégico de IA.
Charles Weill (xAI)
O engenheiro da xAI traçou uma analogia interessante: a forma como fundadores trabalham com modelos de IA se assemelha a como investidores de capital de risco distribuem recursos entre várias empresas — diversificando apostas e maximizando retornos.
Boris Cherny (Anthropic)
Como integrante da equipe da Anthropic e criador do Claude Code, Cherny ofereceu uma perspectiva de quem está na linha de frente. Ele revelou que há mais de dois meses não realiza nem pequenas edições manuais de código.
A equipe do Claude é formada por engenheiros de diversas áreas que também dependem do sistema para programar — uma meta-evidência da confiança depositada na tecnologia.
Os desafios de qualidade no código gerado por IA
Nem tudo são flores nessa nova era. Boris Cherny apontou problemas recorrentes na qualidade do código produzido por IA:
Problema | Descrição |
|---|---|
Complexidade desnecessária | Código mais elaborado do que o necessário para resolver o problema |
Trechos inúteis | Partes do código que não servem a nenhum propósito funcional |
Falta de otimização | Soluções que funcionam mas não são eficientes |
A solução adotada pela Anthropic? Fazer com que a própria IA revise o código gerado por outros modelos, criando um ciclo de produção e revisão totalmente automatizado.
Implicações para o futuro da profissão
Para Karpathy, a codificação feita por IA tem uma função fundamentalmente diferente daquela ensinada em cursos tradicionais de ciência da computação. Isso levanta questões importantes sobre o futuro da educação em tecnologia e as habilidades que serão valorizadas nos próximos anos.
Habilidades que ganham relevância:
Capacidade de especificar problemas com clareza
Habilidades de revisão e debugging
Pensamento arquitetural de alto nível
Compreensão profunda de requisitos de negócio
Habilidades em declínio:
Memorização de sintaxe específica
Implementação manual de algoritmos comuns
Escrita linha por linha de código boilerplate
FAQ: Vibe coding e o futuro da programação
O que exatamente é vibe coding?
Vibe coding é um termo criado por Andrej Karpathy para descrever a programação guiada por instruções em linguagem natural, onde desenvolvedores expressam suas intenções e a IA traduz isso em código funcional.
Os programadores vão perder seus empregos para a IA?
Não necessariamente. O papel está se transformando, não desaparecendo. Programadores estão se tornando mais arquitetos e revisores do que implementadores linha por linha.
Quais são os principais agentes de código disponíveis hoje?
Os mais citados incluem Claude Code (Anthropic), Codex (OpenAI), e GitHub Copilot, entre outros.
É possível confiar 100% no código gerado por IA?
Ainda não. A revisão humana continua essencial, especialmente para detectar problemas de segurança, otimização e lógica de negócio.
Como isso afeta iniciantes em programação?
É um tema controverso. Alguns acreditam que facilita o aprendizado; outros temem que impeça o desenvolvimento de fundamentos sólidos.
O que vem a seguir?
A transformação descrita por Karpathy não é apenas uma tendência passageira — representa uma reformulação fundamental de como software é criado. Para profissionais da área, a mensagem é clara: adaptar-se não é mais opcional.
O setor tech está em uma encruzilhada fascinante. Por um lado, ferramentas de IA prometem democratizar a criação de software e multiplicar a produtividade de desenvolvedores. Por outro, levantam questões sobre perda de habilidades fundamentais e mudanças na natureza do trabalho em tecnologia.
Uma coisa é certa: a era do vibe coding já começou, e aqueles que conseguirem dominar essa nova forma de trabalhar com código — não contra ele — estarão melhor posicionados para prosperar no futuro da engenharia de software.