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A importância de comunidades de tecnologia no Brasil com a Globo
Por que comunidades deixaram de ser apenas iniciativas de engajamento e passaram a ser ecossistemas de formação de cultura.

Falar sobre comunidades no Brasil ainda é, em boa parte, falar sobre um conceito pulverizado. Cada empresa, profissional e área parece interpretar “comunidade” de uma forma diferente, ora como um canal de comunicação, ora como um grupo informal, ora como uma iniciativa de engajamento.
Pouco se fala sobre comunidades como ecossistemas. Como iniciativas estratégicas, menos ainda. E quase nunca como ecossistemas capazes de sustentar cultura, aprendizado e performance em escala. Esse descompasso entre prática e entendimento é um dos principais pontos que travam o avanço do tema no nosso país.
Nos últimos anos, o crescimento acelerado de áreas como dados, inteligência artificial e tecnologia expôs uma fragilidade estrutural das organizações: a dificuldade de transformar conhecimento em cultura e cultura em execução. Enquanto ferramentas evoluem semanalmente, empresas ainda tentam resolver problemas complexos com modelos tradicionais de treinamento, comunicação e gestão do conhecimento. É nesse cenário que comunidades começam a ganhar maior relevância, não como tendência, mas como resposta prática.
No mercado tech no Brasil, um dos exemplos mais claros que pude enxergar desse movimento foi o crescimento do Data Hackers. O que começou como uma newsletter e com a troca de conteúdos sobre "Data Science” entre profissionais de dados hoje se tornou um dos maiores ecossistemas de dados e inteligência artificial no país, com mais de 47 mil profissionais, produção de conteúdo proprietário, uma pesquisa nacional (State of Data Brazil) e iniciativas que impactam diretamente o desenvolvimento do mercado brasileiro de dados. Esse crescimento não aconteceu da noite pro dia, e sim por meio de profundidade no engajamento, consistência de valor na entrega e de uma leitura contínua das necessidades da nossa comunidade.
O papel das comunidades na nova arquitetura organizacional
Foi com essa visão em mente que fomos convidados a ver de perto a Feira de Projetos da Comunidade de Dados e IA no Rio de Janeiro, a convite da Globo.
Nos últimos tempos, o movimento do mercado vem se voltando para a construção de uma nova arquitetura organizacional. Esse novo arranjo envolve o compartilhamento da própria cultura, e a construção de uma comunidade pode ter muita importância nesse processo.
A ida até a Globo, que pensávamos ser para falar sobre a importância das comunidades de tecnologia no Brasil, rapidamente se revelou como algo maior: ver de perto a materialização de uma comunidade estruturada dentro de um ambiente corporativo. A comunidade da Globo hoje reúne mais de 2 mil membros ativos e se consolidou como um ambiente contínuo de troca, aprendizado e protagonismo.
Como destacou Karen Luz, especialista em Estratégia e Cultura de Dados e IA, a comunidade nasceu com um objetivo claro: ser um espaço onde as pessoas possam compartilhar o que estão aprendendo, trocar experiências e encontrar apoio em um ambiente seguro. Essa clareza de propósito é um dos principais diferenciais de comunidades que conseguem se sustentar ao longo do tempo.
Na operação, isso se traduz em iniciativas recorrentes e consistentes. Como informou Marcela Dantas, a comunidade conta hoje com mais de 2 mil participantes e teve mais de 100 projetos inscritos na feira, 14 deles selecionados para apresentação nesta edição. Além disso, iniciativas como Papo de Dados e outras frentes mantêm a comunidade ativa e em constante movimento. Esse volume de produção revela um ponto central: comunidades bem estruturadas não apenas conectam pessoas, elas geram entrega.

Letícia Schuli (The Bloom), Nélio Xavier (Inxpire), Monique Femme (Data Hackers), e Henrique Portella (DataSchool).
Durante o painel, mediado por Nélio Xavier, da Inxpire, e ao lado de Henrique Portella, CEO da DataSchool, e Letícia Schuelter, da The Bloom, refletimos sobre um dos principais desafios das organizações hoje: como transformar conhecimento em cultura de dados. E a resposta passa diretamente pela construção de ecossistemas onde o aprendizado deixa de ser individual e passa a ser coletivo, indo além de modelos tradicionais de capacitação que não acompanham mais a velocidade do mercado.
Pertencimento e engajamento
Uma das perguntas centrais do painel foi sobre o papel do pertencimento em comunidades de tecnologia, especialmente em áreas como dados e IA. Na minha visão, pertencimento não é o ponto de partida, mas consequência: ele se constrói a partir do tempo coletivo, que organiza todas as dinâmicas dentro de uma comunidade. E se eu pudesse definir pertencimento em uma única frase, diria: "Comunidade é único lugar onde eu posso ser o que eu não posso ser em nenhum outro lugar".
É na recorrência da troca e no aprendizado coletivo que se cria a base para algo mais profundo. A partir daí, o pertencimento surge como um efeito de sincronização da “tribo”: pessoas que passam a compartilhar ritmo, linguagem e contexto.

Participantes da Comunidade de Dados & AI da Globo e convidados
Do ponto de vista de quem lidera uma comunidade, isso exige intencionalidade na criação desses espaços e consistência na ativação desse tempo coletivo. Já para os profissionais, o pertencimento se conecta muitas vezes a um instinto de sobrevivência em um cenário de alta complexidade, onde novas tecnologias surgem continuamente e exigem adaptação constante..
O que a Globo construiu com sua comunidade de Dados e IA é um exemplo concreto de maturidade: um ecossistema com propósito, governança de iniciativas, geração de projetos e participação ativa. Isso não é trivial e tampouco acontece de forma espontânea. É resultado não apenas de construção intencional, mas reflexo de uma liderança forte.
O avanço de áreas como dados e inteligência artificial vai exigir cada vez mais colaboração, velocidade de aprendizado e capacidade de adaptação. Nesse contexto, comunidades deixam de ser uma iniciativa complementar e passam a ser uma das camadas centrais da arquitetura organizacional.
Ao olhar para o cenário brasileiro, fica evidente que ainda estamos em um estágio inicial de entendimento sobre o papel das comunidades. Nesse contexto, muitas empresas já iniciaram movimentos, mas poucas operam com clareza estratégica. O risco aqui não é deixar de criar comunidades, mas utilizá-las muito abaixo de seu potencial. Tratá-las como apenas mais um canal, quando na verdade são potenciais ecossistemas.
A pergunta que permanece não é mais se as comunidades são importantes. É se as organizações estão preparadas para tratá-las como realmente são: ecossistemas estratégicos de aprendizado, cultura e inovação.
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Bom, se esse é um assunto que te interessa ou te desperta curiosidade, posso trazer mais conteúdos sobre esse tema por aqui.
Até mais !